sábado, 7 de setembro de 2013

A flor.

Ao redor do mundo,
Me sinto um cheiro,
Uma flor,
Semente.
O vento no céu,
Desnorteado,
Na vida, na rua,
Ou sarjeta.
Um corpo grudou em minha alma,
Quase levou embora
A flor, o cheiro, a dança.

 Bárbara Cristina.

terça-feira, 14 de maio de 2013

O rato do outro mundo.

Partiu; dessa vez para longe (não voltaria)... Saiu deste mundo real e foi procurar algo menos concreto, que pudesse preencher sua imaginação.
- Você parece um rato, procurando um buraco menos escuro para enfiar-se!
Ratos normais gostam de buracos, são os ratos do mundo concreto. O rato que procura uma luz, não é um rato normal, real ou banal.
Saiu do esgoto pela primeira vez, foi seguir seu destino, instinto; seus devaneios mais obscuros e sua ilusão de querer ser diferente, o fizeram parar de querer viver na imundície. Então partiu! Queria beber, queria fumar e respirar fora do buraco fedido!
Em sua primeira tentativa, o rato saiu do buraco escuro, e em sua primeira visão... Não houve tempo para descrever, nem para experimentar as diversas sensações do outro mundo. A luz corroeu sua vista e o cheiro do mundo fez irritar suas narinas. Pois aquele pé que fazia parte daquele mundo, em fração de segundos esmagou seus miolos, seus devaneios, sensações, felicidade e sua loucura de rato ingênuo.

Bárbara Cristina.


sábado, 4 de maio de 2013

Aos poetas.

A poesia é uma loucura,
Que apesar de repentina,
Está enraizada.
São raízes que não respeitam hora,
Não respeitam dor,
Muito menos dia santo.
É acordar e ver o rio correr,
Sonhar e descobrir que não havia dormido.
É quando seus dedos escrevem contra você,
Viajando apenas com a mente,
Um papel e uma caneta,
Explorando seu abissal,
Encontrando seu lado ébrio, meigo e descontrolado.
Chegando a ser sombrio,
O modo como as palavras se encaixam,
Nunca ví um poeta feliz,
Deve ser por causa dessa loucura,
De ver o mundo pelo lado que o contradiz.

 Bárbara Cristina. 

 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Nunca senti saudades.



Não sinto saudades,
Nunca senti saudades.
Talvez eu não goste de ninguém,
Ou saudade seja um palavrão...
Mas eu gosto de palavrões,
E não gosto dessa saudade.
Deito-me, mas não durmo,
Consequências da cafeína!
A mente trabalha involuntariamente
Entre o sonho e a realidade,
Inerte, não me lembro do que sonhei,
Nem quando estive acordada,
Lembro que nunca dormi,
Numa noite quente e abafada.
Entre um acordar e outro
O sol chega outra vez,
Apenas para me avisar,
Que mais um dia se passou,
E eu nunca senti saudades.

Bárbara Cristina.

 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sem Título.

Nuvens de algodão,
Que sejam doces, ou não.
Pedir que deixem a lua em paz,
Talvez seja um egoísmo sagaz.
Estrelas não vivem sem um céu.
Assim como o doce deve aceitar o fel,
Lá vai o bom moço andando com seu cão fiel,
Matar ou morrer...
Talvez seja necessário.
E morrer de tanta vida...
O amanhã não existe,
Para aquele que sabe viver,
E a vida é longa demasiadamente para quem deseja morrer.
Palavras difíceis não explicam nada.
Quando alguém deseja entender.
E tudo se torna imortal.
Para alguém que suplica o viver.

Bárbara Cristina.





Linha da vida.

Aguardando as flores,
Guardando pensamentos
Sem descartar acontecimentos...
De fato o túnel existe,
Há quem enxergue!
Muitos enlouquecem
E outros que morram céticos.
Tudo inexiste,
No pouco que resiste,
Do resto de devaneios,
Vazios como o vento,
Preenchendo o pensamento.

Bárbara Cristina.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

No quarto.


Monstros e assombrações, em uma eterna fobia que se tem da vida. Lá vem ele, rastejando pela parede, seus olhos cospem fogo e sua língua é de cobra. Faz qualquer ser vivente surtar com sua respiração barulhenta. Seria imaginação? Como se não bastasse, tarântulas e viúvas-negras tomam o espaço, e lhe servem se alimento. O que? Isso mesmo, o veneno fortalece o organismo do ser abominável e enquanto isso, o cheiro de enxofre invade o ar que circula no quarto, trazendo de volta os maus que já haviam sido sepultados. Algum tipo de magia negra? Pode-se ouvir os gritos de socorro e os pedidos de orações longe das risadas abafadas pelo calor. Poderia isso ser um pesadelo real, provocado pelo uso de entorpecentes?
Quando algo insiste em dizer que não pode ficar normal, comum, ou banal dentro do quarto, lhe estremece o corpo inteiro, em busca da luz, ou de um sinal de liberdade de expressão. Abstinência? Talvez não se trate de abstinência, imaginação, magia negra ou entorpecentes. Pode ser que se trate apenas de uma criança, presa em um corpo adulto, que apenas sente medo do escuro do próprio quarto.

Bárbara Cristina.